E aí, qual tem mais?
Se você perguntar para a maioria dos clientes que entram em uma cafeteria qual café tem mais cafeína, a resposta quase unânime será: o espresso. Afinal, ele é denso, encorpado, traz aquela explosão sensorial na boca e é servido em uma xícara minúscula, quase como um "shot" de energia concentrada.
Mas o mundo dos cafés especiais adora desafiar o senso comum. Quando olhamos para a química por trás da extração, a resposta para "qual café tem mais cafeína" é um clássico: depende de como você mede.
Para entender essa dinâmica, precisamos separar dois conceitos fundamentais: a concentração por mililitro e a quantidade total por porção.
1. Concentração vs. Volume Total
A cafeína é um alcalóide altamente solúvel em água. Quando analisamos a bebida mililitro por mililitro, o espresso é o vencedor absoluto. Porém, nós não consumimos café em volumes iguais.
Observe a diferença real entre uma extração padrão de espresso e um método coado (V60, Chemex ou de filtro tradicional):
| Variável | Espresso (Single Shot) | Café Coado / Filtrado |
| Volume da dose | ~30 ml | ~240 ml |
| Pó de café utilizado | 7g a 10g (dose simples) | 15g a 18g |
| Cafeína por mL (Média) | ~2,0 mg / ml | ~0,4 mg / ml |
| Cafeína Total na Xícara | ~60 mg a 65 mg | ~95 mg a 120 mg |
Embora o espresso seja cerca de 5 vezes mais concentrado que o coado, uma xícara padrão de café coado entrega quase o dobro de cafeína total para o seu organismo.
Isso acontece simplesmente porque o volume final da bebida e a quantidade de pó utilizada no preparo do coado são consideravelmente maiores.
